Asa Branca

A Associação Educativa e Cultural Asa Branca surgiu no final de 2008. Desde então, a ONG desenvolve um trabalho de prevenção com crianças e adolescentes no bairro Triângulo, em Juazeiro do Norte. A fundadora do projeto é Aurineide Barbosa, ou simplesmente Neide, que, até hoje, luta para conseguir recursos para a manutenção da Asa Branca. No espaço, acontecem diversas ações voltadas para o público infanto-juvenil do bairro, além de rodas de conversas voltadas para o núcleo familiar dos jovens. 

Neide diz que o trabalho, apesar de árduo, é gratificante. A falta de auxílios, no entanto, dificulta o trabalho da Asa Branca. “O trabalho é bom, mas ao mesmo tempo é muito difícil de ser realizado porque a gente não tem ajuda”. Segundo ela, poucas pessoas trabalham hoje em dia para manter a ONG funcionado. Mesmo assim, o trabalho não para, por conta da importância imensa no trabalho de prevenção com crianças e adolescentes. 

O prédio onde hoje fica a sede do projeto foi doado pelo Governo do Estado do Ceará, depois de uma solicitação feita pela Aurineide. O local foi completamente reformulado, e hoje conta com uma ótima estrutura para abrigar os projetos sociais. A ONG, porém, não fica restrita às paredes de sua sede. “Não é um trabalho que se restringe ao prédio da associação casa branca, mas também um trabalho que é feito fora, na casa dessas famílias que a gente vê que carece do nosso apoio, do nosso serviço, a gente vai em busca.”

Aurineide, fundadora da ong Asa Branca

Nessa entrevista Neide explana alguns tópicos

Impactos do projeto desde 2008

Olhe, teve mudanças, eu acredito que muito poucas. Se tratando do projeto, se eu disser que conseguimos mudar a vida de 10 famílias, eu considero pouco por um lado e muito por outro, porque se não tivesse cuidado talvez essas famílias tivessem enveredado pelo mundo do mal. Mas, considero muito, porque a gente tem que usar da empatia, pra poder ir buscar ajuda, e tentar ajudar essas famílias. Então o projeto tem feito um grande trabalho, com o pouco que tem. Porém a ausência dos governos dificulta o nosso trabalho, porque se tivesse essa união pra se ajudar seria bem melhor. Mas a gente tem esse dificuldade por não ter parceiros, não ter ajuda. O bairro em si ele cresce todos os dias, entendeu?! É um crescimento a perder de vista, mas tem essa falta de cuidado, de atenção, por falta do governo. Você aqui nesse comunidade, cercado de faculdades, de hospitais, de posto de saúde, de escolas, que não suportam a quantidade de alunos, teria a necessidade ser construído mais um colégio, porque crianças aqui na comunidade saem para estudar em colégios fora da comunidade, coisa que eu não acha bacana, não acho certo… Crianças atravessarem as ruas segurando na mão um do outro nas correntinhas, em pleno meio dia, pra ir em uma escola numa outra comunidade. Se tivesse outro colégio dentro da nossa comunidade, iria evitar esse sofrimento de muitas famílias. O posto de saúde fica distantes de algumas família. O atendimento… Não sei de quem é a culpa, mas o atendimento não é muito bom… O paciente doente quando tem um bom atendimento dentro do balcão, ele já começa a melhorar um pouquinho a partir dali, um “bom dia, em que posso ajudar?” já começa a ajudar antes do remédio. Mas quando ele chega e é mal atendido aí já dificulta. Uma capacitação seria muito importante.

Identificação com o bairro

Entrei há 20 anos no bairro. Trabalhei sempre com crianças. Passei um tempo trabalhando na APAE, onde aprendi muito, não com os funcionários, mas com as próprias crianças de lá. Me identifiquei no mundo social, porque não é só dizer : tô pronta pra trabalhar com pessoas. Eu acredito que você pode até nascer pra trabalhar com aquilo. No caso da mediação é onde eu sinto muito que a gente já nasce um mediador, temos apenas que nos aperfeiçoar. Quando eu fundei a associação asa branca, eu já tinha essa noção por ter trabalhado com pessoas. Comecei com o trabalho de prevenção, trazendo as famílias, oferecendo oficinas de teatro, música, dança, arte visual, pra que eles pudessem se manter ocupados e nisso fui fazendo amizades com as famílias, essas que precisam demais do apoio da associação.

Sempre que posso desenvolvo ações também pra as famílias. Faço a roda de conversa com as mães, pois o conflito começa dentro de casa, a educação também, eu vejo isso. Temos também aliança com a escola e sociedade civil, mas a família tem que ter essa prioridade de ser escutada. A criança às vezes não tem um bom desempenho na escola porque não é escutada sobre o que se passa em casa. Então, nesse sentido a associação tem feito esse pouco/muito de estar ouvindo nas rodas de conversa falando sobre o comportamento e de onde vem esse sofrimento pra que a gente possa ajudar. Somos muito bem aceitos na comunidade, temos o respeito, e um carinho muito grande por todos. Nunca dizemos um não, sempre fazemos o possível.

Sobre o bairro

Hoje tem bastante construções, prédios, postos de saúde, CRAS. O bairro cresceu muito, melhorou muito, mas ainda falta a presença do poder público nessa questão da fiscalização, para dar uma melhorada, porque a população clama muito, e não é bem cuidada, mas a associação sozinha não consegue fazer essa cobrança. Uma coisa é Aurineide pedir, outra é a população estar junto, ter acesso a informação e reivindicar por suas necessidades. O bairro tringulo, que é a porta de entrada de Juazeiro, é muito esquecido. A gente pede, tem que ir em busca, através da empatia a gente consegue. A gente não tá aqui pra apontar o erro e nem fazer julgamento, a gente tá aqui pra usar da empatia pra ir em busca, e a gente espera que ajuda venha de acordo com o crescimento da nossa comunidade, que cresce bastante a cada dia.

Projetos, oficinas, periodicidade…

Quando eu disse que associação foi fundada com essa finalidade de prevenção, conseguimos isso através do teatro, da música, da dança, da arte visual.

Na sala de música temos temos bastante instrumentos, além de um educador voluntário. Temos a biblioteca, a sala de desenho de artes, e os voluntário que ensinam o teatro. Temos a sala de dança, e o pátio onde a desenvolvemos outras atividades, como a quadrilha infantil, que se chama Tabuleiro Grande, que era o nome de juazeiro quando se iniciou. 

Assim a gente consegue transformar, passar pra as pessoas o respeito e a convivência em coletividade. A falta de diálogo gera conflitos, um som alto do vizinho, um apelido que se coloca na escola que deixa uma criança isolada em casa e a faz abandonar os estudos, etc…

Dona Neide em entrevista para o Triângulo de vista

O que a senhorita gostaria de ver nesse site?

Olha, um projeto que eu acho interessante e gostaria que fosse falado é o da Asa Branca, porque tem muita gente que não conhece, apesar de trabalharmos muito aqui dentro da comunidade. Por exemplo, temos um projeto que visa tirar uma rede de alta tensão de cima da casa dos moradores, e é uma coisa que eu gostaria que eles soubessem quem é que tá a frente, porque como eu disse já, logo chega a politica e chega um fulaninho dizendo que foi ele o responsável. Eu quero que eles digam “a gente acreditou, a gente lutou, a gente se reuniu com a associação asa branca e descobrimos o poder de lutar por aquilo que é nosso”. Eu quero que eles digam “isso aqui é graças a nossa luta, a nossa fé, o nosso trabalho, a nossa família, a nossa união”.


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