Ilê Asê Omólwayê

Uma história de resistência

O Ilê Asê Amólwayê é uma casa candomblecista situada no bairro Triângulo em Juazeiro do Norte, as suas atividades começam por volta de 1976 mas com outras práticas que fazem partem das religiões de matrizes africanas, que são a Quimbanda e a Umbanda. Pai Bira, principal representante da casa, conta que após a sua ida a Salvador para ser iniciado no candomblé ele retorna para o Juazeiro e de fato começa, no ano de 2000, as atividades candomblecistas, como a única e principal prática da casa.

Além da prática religiosa do Ilê, um dos principais objetivos da casa era mostrar o candomblé com uma outra cara, como uma forma de defesa da prática religiosa. E incialmente Pai Bira tenta se aproxima da comunidade com algumas ações voltadas para o bairro, como a distribuição de sopa, leite, pão, roupa e outras atividades para uma melhor interação com os novos moradores do bairro.

O principal obstáculo da casa, até hoje, é o preconceito. Desde o início, o Ilê sofreu vários ataques, que eram direcionados principalmente as pessoas que frequentavam a casa e também aos trabalhos que aconteciam na casa. Em um desses ataques, várias pessoas invadiram o Ilê e quebraram várias coisas, interrompendo os trabalhos. Essas situações só foram amenizadas depois que Pai Bira denunciou os ataques no Ministério Público.

​A intolerância religiosa está muito presente no dia a dia das pessoas que praticam o candomblé, e depois de vários acontecimentos, como pessoas impedidas de entrar em escolas com o Gèlé (um pano amarrado na cabeça), e uma situação que o próprio Pai Bira passou, que foi de ser impedido de entrar no shopping, para assistir ao filme de Chico Xavier, por está vestido com as roupas tradicionais do candomblé, se teve a necessidade de fazer alguma ação para denunciar e tentar mudar essas situações.

Em 2007 houve a 1ª caminhada contra a intolerância religiosa, puxado e organizado pelo Terreiro de Mãe Maria que fica no João Cabral, e conta com a participação de várias outras casas de várias linhas das religiões de Matrizes Africanas. O Ilê Asê Omólwayê também faz parte da organização desses eventos e de outros que ajudam a desmitificar o candomblé e as outras linhas. E mesmo com esses avanços, a perseguição ainda continua.

Além dos trabalhos feitos no Ilê, há outros, como o Afoxé, conhecido como candomblé de rua, faz partes dos festejos carnavalesco. O Afoxé tem início no Pernambuco e logo se espalha pelo Brasil. E o Ilê Asê Omólwayê conta com o Afoxé Filhos da Terra e desde 2010 está presente no carnaval de Juazeiro do Norte. O Afoxé vem para desmistificar e também mostrar que a cultura brasileira, principalmente a música, utiliza de vários elementos oriundos das religiões de Matrizes Africana.

O Ilê Asê Omólwayê sempre tenta levar para a comunidade outros tipos de atividades, e por um tempo teve uma ONG, onde funcionavam vários projetos, com curso de culinária baiana, o conto dos orixás, aulas de libras, aulas percussivas de atabaque, projetos de folhas, para aprender sobre as ervas utilizadas no candomblé e outras. Mas por falta de apoio tanto comunitário quanto por parte do governo municipal e também pelo preconceito, por essas aulas acontecerem com as pessoas da casa e também pelo espaço físico utilizado ser o próprio Ilê, a ONG e as atividades não tiveram muito sucesso e foram canceladas.

Hoje em dia as principais atividades realizadas são ligadas diretamente ao candomblé, e por ser uma religião que requer uma melhor atenção e entregar do praticante, essas atividades são internas e fechada ao público, ficando assim apenas as festividades aberta a comunidade.

Mesmo com todas as dificuldades o Ilê Asê Omólwayê segue firme e tentando sempre interagir com a comunidade, sempre com o intuito de mudar os estereótipos que são atribuídos ao candomblé e as outras religiões de matrizes africanas.

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